Um pouco sobre a utilização de algas marinhas

A utilização na agricultura de produtos a base de extratos de algas que exibam ação bioestimulante, vem sendo cada vez mais estudadas. Este artigo é breve relato sobre Ascophyllum nodosum:


Segundo Horta Junior et al (2001), temos um destaque para as algas marinhas, dentre os organismos úteis ao homem, que o mar pode fornecer. Alguma espécie de algas já vem sendo usadas nas formas secas ou de extratos, sendo atualmente comercializadas como bioestimulantes/fertilizantes em determinados países, onde apresentam a capacidade de aumentar a resistência das plantas a doenças e até mesmo a outros estresses, como geadas (MARTINS, 2006).


No Brasil, estudos com algas marinhas estão gerando conhecimento científico útil em diversas áreas, tais como: na farmacologia, identificando compostos com atividade antiviral e anticancerígena; na área ambiental, para o monitoramento e previsão de impactos ambientais; na área sócio-econômica, implantando a produção de algas para gerar renda adicional em atividades maricultoras; na agricultura, utilizando extratos de macroalgas para a proteção de plantas contra patógenos e como bioestimulante (STADNIK, 2005; MARTINS, 2006).


 As macroalgas são organismos muito diversificados e de ocorrência freqüente em ambientes marinhos (HORTA JUNIOR et al., 2001). Dentro do gênero Ascophyllum, da família Fucaceae, temos as algas do gênero nodosum, citadas como grandes algas marrom. O extrato dessa alga estimula o crescimento vegetal e sua composição é rica em macro e micronutrientes, carbohidratos, aminoácidos e bioestimulantes.


De acordo com VIEIRA (2001), a mistura de dois ou mais reguladores vegetais ou de reguladores vegetais com outras substâncias de natureza bioquímica como aminoácidos, vitaminas e nutrientes são designados como bioestimulantes; e segundo Castro (2006), a utilização na agricultura é crescente por produtos que exibam ação bioestimulante, ou seja, produtos que pela sua composição, concentração e proporção de componentes podem incrementar o desenvolvimento vegetal e a produtividade.


O extrato de alga, segundo cita Mógor et al (2008), como sendo uma fonte natural de citocininas, classe de hormônios vegetais que promovem a divisão celular e retardam a senescência. Ainda dentro dos compostos presentes em Ascophyllum nodosum, os polissacarídeos complexos são freqüentemente observados em parede celular de algas, os quais podem apresentar diferentes formas de atividade biológica (PESSATTI & MARASCHIM, 1998), como estimular as respostas de defesa da planta. Os seguintes compostos foram detectados por Jenkins et al. (1998) no extrato da Ascophyllum nodosum: ácido betaínico gamma – aminobutírico, ácido betaínico delta – aminovalérico e glicinobetaína.

Plantas pulverizadas com produtos à base de Ascophyllum nodosum podem sofrer um aumento da atividade de nitrato redutase, uma enzima do metabolismo do nitrogênio, estimulando o crescimento de plantas em condições adversas, principalmente em deficiência de nitrogênio (DURAND et al., 2003).

Referências Bibliográficas

  

ABREU, G.F. de. Bioprospecção de macroalgas marinhas e plantas aquáticas para o controle da antracnose (Colletotrichum lindemuthianum) do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.). Florianópolis, 80p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais. 2005.

DURAND, N.; BRIAND, X.; MEYER, C. The effect of marine bioactive substances (N PRO) and exogenous cytokinins on nitrate reductase activity in Arabidopsis thaliana. Physiologia Plantarum, Lund, 119: 489-493. 2003.
FRUGULHETTI, I.C.P.P.; AMORIM, L.M.F.; TEIXEIRA, V.L.; PEREIRA, R.C. Estudos da atividade antiviral e anticâncer de substâncias isoladas de algas marinhas. Oficina de trabalho potencial biotecnológico das macroalgas marinhas. Angra dos Reis – RJ. 2005.
GALVÃO, S.; STADNIK, M.J.; PERUCH, L.A.M. & BRUNA, E.D. Avaliação da eficiência de produtos alternativos para o controle do míldio e da antracnose em videira, cultivar Niágara branco. Revista Agropecuária Catarinense, v.19, n.2. Jul. 2006.
HABER, L. L.a VIEGAS, C. P.; GOTO, R. Produção de mudas de alface em função da aplicação da alga Ascophyllum nodosum – resultados preliminares. Horticultura Brasileira, v.23, p 376. Ago, 2005. Suplemento.
HABER, L. L.b MOREIRA, G. C.; GOTO, R. Embebição de sementes de alface e rúcula no extrato aquoso de Ascophyllum nodosum – resultados preliminares. Horticultura Brasileira, v.23, p 376-377. Ago, 2005. Suplemento.
HORTA JUNIOR, P. A.; AMANCIO, E.; COIMBRA, C. S.; OLIVEIRA, E. C. Considerações sobre a distribuição e origem da flora de macroalgas marinha brasileiras. Hoehnea, 2001. 28(3).
JENKINS, T.; BLUNDEN, G.; HANKINS, S.D.; GABRIELSEN, B.O. Are the reductions in nematode attack on plants treated with seaweed extracts the result of stimulation of the formaldehyde cycle? Acta Biologica Hungarica, 1998. v.49, p. 421-427.
KELECOM, A. Marine natural products in Brazil. Ciência e Cultura. 49(5/6): p. 321-330. 1997.
LEONETTI, D.B; GONZAGA, F.; HORTA, P.A. & STADNIK, M.J. Eficiência de extratos de macroalgas marinha no controle de bactérias fitopatogênicas e do oídio do feijoeiro. Fitopatologia Brasileira, n° 28 (suplemento). Uberlândia – MG: agosto 2003.
LOFFAGUEM, J.C.; HARTMANN, O.E.L.; TALAMINI, V. & STADNIK, M.J. Extratos naturais no controle da antracnose e na produtividade do feijoeiro. Fitopatologia Brasileira. 29 (Suplemento): p.107. 2004.
MARTINS, D.A.; WORDELL FILHO, J.A.; STADNIK, M.J. Efeito de produtos alternativos na incidência de podridão por Bukholderia cepacia e no conteúdo de açucares solúveis em cebola. In: XXXVIII Congresso Brasileiro de Fitopatologia. Fitopatologia brasileira. 30 (Suplemento): p. 62. 2005.
PESSATTI, M. L.; MARASCHIN, M. Atividades biológicas e aspectos estruturais de carboidratos de origem marinha. In: JORNADA CATARINENSE DE 36 PLANTAS MEDICINAIS – saúde e sustentabilidade para o 3º milênio,. Anais... Tubarão: Unisul, 183p. p. 47-51. 1998.
PUPO, D. Monitoramento e previsão de impactos ambientais decorrentes da maricultura. Oficina de trabalho potencial biotecnológico das macroalgas marinhas. Angra dos Reis – RJ. p. 3. 2005.
REIS, R.P. Estudos sobre maricultura, produção de carragenana e crescimento de algas de interesse comercial no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Oficina de trabalho potencial biotecnológico das macroalgas marinhas. Angra dos Reis – RJ. p. 24, 2005.
STADNIK, M.J. Potencial biotecnológico de algas para uso agrícola. Oficina de trabalho potencial biotecnológico das macroalgas marinhas. Angra dos Reis – RJ. p. 13, 2005.
STADNIK, M.J. Uso potencial de algas no controle de doenças de plantas. In: VIII Reunião de controle biológico de fitopatógenos, Cepec, Ilhéus, p.70-74. 2003.
STADNIK, M.J.; TALAMINI. V. Manejo ecológico de doenças de plantas, Florianópolis, SC: CCA/ UFSC. p 221-244. 2004.

 

Soluções Ecológicas para a Agricultura
Estrada Municipal Carlos Gebim, 2353 - Laranja Azeda
CEP: 12955-000 - Bom Jesus dos Perdões - SP
contato@ballagro.com.br | (011) 4217-1201