Ballagro
Ballagro
Mercado brasileiro de defensivo biológico projeta expansão anual de 15%

Mercado brasileiro de defensivo biológico projeta expansão anual de 15%

Postado em Notícias dia 21/Novembro | 735 visualizações

O mercado brasileiro e mundial de defensivos agrícola biológicos têm registrado forte crescimento nos últimos anos. No mundo, a média anual de crescimento gira hoje na casa dos 10% e este ano deve atingir US$ 3 bilhões, valor que representa 5% do mercado total de defensivos, incluindo os químicos. Já no Brasil, a perspectiva é de uma expansão média anual de 15% para os próximos anos. Atualmente, o mercado brasileiro representa 2% de um volume anual de defensivos que, em 2015, foi da ordem de R$ 9,6 bilhões. 
 
Os dados foram analisados pelos conferencistas e participantes do Biocontrol Latam 2016 – Conference & Exibition, evento promovido entre os dias 15 e 17 em Campinas/SP. “A tendência de expansão do uso de defensivos biológicos é um movimento que não tem volta no Brasil e no mundo”, afirmou Pedro Faria Jr., presidente da ABC Bio – Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, que deu suporte organizacional ao evento, realizado pela primeira vez na América Latina. 
 
Para um dos organizadores do Biocontrol Latam 2016, William Dunham, sócio-gerente da DunhamTrimmer & Editor, que edita a 2BMonthly, uma das promotoras do encontro, a maior prova da importância que o mercado brasileiro vem adquirindo no contexto mundial de defensivo biológico é o fato de o Biocontrol Latam ter sido programado pela primeira vez no Brasil. “O evento só é realizado em mercados nos quais há grande potencial de crescimento do uso de biodefensivos. Daí a decisão de, a partir de agora, fazermos um revezamento na sua promoção, realizada a cada dois anos. Faremos uma vez na Ásia e outra na América Latina, com destaque para o Brasil”, informa Dunham. 
 
Além da 2BMonthly, o Biocontol Latam é uma iniciativa da NewAg International, editora especializada em publicações técnicas sobre agricultura moderna, e reuniu centenas de participantes entre consultores, especialistas e empresários do segmento que debateram os desafios, oportunidades, além de avaliar as perspectivas futuras da área de defensivo biológico em todos os mercados do mundo. “Entendemos que o defensivo biológico se consolida como principal opção do produtor para  combate a pragas e doenças, em função das deficiências do uso exclusivo do defensivo químico, que é utilizado há 50 anos e que, portanto, já não alcança a mesma eficácia”, comenta Faria Jr.
 
O presidente da ABC Bio acrescentou ainda, em entrevista coletiva realizada durante o evento, que o biológico é uma alternativa confiável e fundamental para um país que, em 30 anos saiu de uma produção anual de 50 milhões de toneladas de grãos, para 200 milhões de toneladas. “Outra razão que indica o bom potencial do Brasil é que quase a totalidade das grandes companhias de defensivos químicos já atua no país com produtos biológicos”, acrescenta.
 
Apesar do otimismo e das perspectivas de expansão do mercado, o presidente da ABC Bio detecta algumas questões importantes. “Temos dois grandes problemas para o pleno desenvolvimento e crescimento do defensivo biológico no Brasil: os produtos ilegais e os gargalos na área de treinamento e capacitação do pessoal necessário para disseminar a aplicação dos produtos”, destaca Faria Jr. Segundo relata, há um contingente enorme de produtos que são processados em condições totalmente inadequadas e de forma improvisada. “Além de não se ter controle sobre que tipo de micro-organismo está sendo manuseado, a preparação inadequada de biológicos acaba por comprometer a eficácia da aplicação, afetando a imagem do setor”, comenta Faria Jr.
 
O outro ponto destacado pelo presidente da ABC Bio é o da necessidade de se ter um amplo programa, inclusive com suporte governamental, para treinar e capacitar pessoas a fazer o manejo adequado da aplicação e uso dos biológicos, da mesma forma que foi feito quando da introdução dos defensivos químicos no país. No campo da regulamentação de novos produtos pelos órgãos competentes, outro ponto nevrálgico do segmento, o evento também trouxe algumas novidades, além da constatação de vários participantes sobre o excesso de burocracia e de regulação que posterga a aprovação de novos agentes biológicos, que pode demorar mais de dois anos.
 
Na palestra de Caio Augusto de Almeida, gerente de avaliação toxicológica da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foi destacado o avanço alcançado nos últimos anos no quesito liberação de novas agentes biológicos. Para ele, graças a reformulação interna do órgão, já se constata uma aceleração nos processos de avaliação. Segundo informa, em 2013 foram aprovados apenas seis produtos, número que subiu para 16, em 2014, 47, no ano passado, e que neste ano já chega a 54. “Temos tido um ganho significativo devido a pequenas mudanças que fizemos nos departamentos da Anvisa, o que permitiu reduzir o tempo médio de análise de 200 para 80 dias”, relata Almeida, salientando que o trabalho de agilização terá sequência.
 
Além da participação do representante da Anvisa, o Biocontrol Latam 2016 contou ainda com as participações de gestores de todos os importantes órgãos ligados aos defensivos. Um exemplo, foi a presença da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, representada, na abertura do encontro, pelo seu diretor de pesquisa, Ladislau Martin. Assim como a Embrapa, as mais importantes entidades e empresas de defensivos biológicos nacionais e internacionais participaram no evento, que contou com representantes de 11 países, num total de 40 palestrantes que detalharam avanços tecnológicos e desafios do setor.

 

Fonte:Agrolink


TAGS

Controle Biológico, Defensivo Biológico, Biocontrol

COMENTÁRIOS

Seja o primeiro a comentar sobre esse POST!