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Manejo de Nematoides: a hora de cuidar é agora

Manejo de Nematoides: a hora de cuidar é agora

Postado em Notícias dia 13/Julho | 313 visualizações

Estima-se que os nematoides tragam prejuízos superiores a R$ 35 bilhões ao Brasil anualmente. Para se ter uma ideia da grandeza deste número, ele equivale a 35 mil colheitadeiras de alta performance.

Considerando apenas a soja, as perdas superam R$ 16 bilhões no País, equivalente a menos 200 milhões de sacas produzidas. Estes organismos, ao penetrarem, se movimentam nos tecidos das plantas para alimentarem-se, causam danos mecânicos e injetam substâncias com ação tóxica.

Nematoides são organismos vermiformes que infectam, principalmente, as raízes das plantas e causam prejuízos diretos e indiretos, estimados em bilhões de reais cada ano. Praticamente todas as plantas cultivadas são suscetíveis aos nematoides, mas as maiores perdas têm sido contabilizadas na cultura da soja, em função da extensão da área cultivada.

Prejuízos

Os nematoides penetram as raízes da soja logo após a germinação da semente e emissão da raiz pivotante. Ali eles iniciam suas atividades parasitárias, que podem variar em função de cada espécie.

O nematoide-das-galhas (Meloidogyne javanica e M. incognitta), por exemplo, têm hábito parasitário denominado sedentário e, desta forma, injetam toxinas responsáveis por uma série de alterações no tecido radicular, a fim de estabelecerem seus sítios de alimentação.

Em decorrência, ocorre hiperplasia e hipertrofia de células, levando ao surgimento de galhas facilmente diagnosticadas no campo, mas comumente confundidas com nódulos bacterianos.

Tais alterações causam obstrução ou deformação nas células do xilema, que perderão a eficiência em conduzir água e nutrientes para a parte aérea que, consequentemente, apresentará sintomas de deficiência nutricional.

Pratylenchus brachyurus, por sua vez, não estabelece sítios de alimentação específicos nas raízes do hospedeiro e migram livremente no interior do tecido, injetando enzimas e retirando o alimento das células ao longo das raízes, ocasionalmente lesões radiculares. Independente da espécie, nematoides parasitas de raiz comumente causam sintomas em reboleiras, devido à movimentação restrita destes organismos no solo.

Disseminação

Muitos nematoides parasitas de plantas são nativos do Brasil e encontram-se distribuídos nas mais diferentes regiões produtoras.  Mesmo assim, é importante cuidar para que novas espécies ou raças não sejam introduzidas nas áreas isentas de nematoides.

A principal forma de evitar a entrada e distribuição de nematoides numa área é cuidando do trânsito de maquinários ou qualquer outra prática que movimente o solo. A cobertura vegetal do solo no período de entressafra também é importante para evitar o arraste do solo por água da chuva.

Como o nematoide é um patógeno de solo, o manejo é bastante difícil e agravado pela diagnose incorreta e tardia.

Manejo eficiente

Na tomada de decisão para o manejo, é preciso estar atento a um fator importante: o manejo eficiente do nematoide deve ser feito na entressafra e no plantio, pois as técnicas atuais não garantem bons resultados após o estabelecimento da lavoura.

As práticas de manejo cultural, incluindo a rotação ou sucessão de culturas com plantas não hospedeiras ou antagonistas, adubação verde e adição de matéria orgânica ao solo continuam sendo as principais atividades para o controle do nematoide e melhorias nas características do solo.

Porém, além destas, hoje o mercado dispõe de produtos químicos e biológicos com boa eficiência, tanto para a aplicação no tratamento de sementes quanto em sulco de plantio.

Se imaginarmos um produto que promova redução de 60% na penetração do nematoide na fase de estabelecimento da cultura e que a população inicial da espécie no solo é de 500 nematoides, aproximadamente 200 nematoides infectarão a raiz.

Biológicos

O mercado de nematicidas microbiológicos dispõe de opções de tratamento de sementes e em sulco de plantio, e da mesma forma que o controle químico, se utilizados de forma correta, com cuidado no armazenamento, no manuseio e na aplicação, seguindo todas as recomendações de cada fabricante, vão apresentar boa performance no campo.

O produtor deve estar atento a alguns fatores cruciais: o primeiro é se o produto a ser aplicado tem registro como nematicida biológico no MAPA.

A aplicação do biológico em cobertura, quando necessária, deverá ser feita com produtos indicados para este fim, nas dosagens recomendadas e deve ser realizada com o acompanhamento de um especialista, pois os cuidados para não perder a viabilidade, envolvendo especialmente fatores ambientais, deverá ser redobrada.

Autor: Claudia Dias Arieira – Fitopatologista/nematologista e professora do Departamento de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual de maringá (UEM)

*Texto retirado da revista Campo e Negócios, edição 184, Julho/2018

Nota da Ballagro: Para o manejo de nematoides, a Ballagro conta com o Nemat, um bionematicida microbiológico formulado a partir do fungo Paecilomyces lilacinus Pae 10.

Paecilomyces é um fungo que pode ser encontrado naturalmente em diversos tipos de solo. Ele se caracteriza por afetar diretamente a capacidade reprodutiva dos nematóides, seja parasitando os ovos, onde ele penetra e destrói o embrião, ou atacando as fêmeas sedentárias, que são colonizadas e mortas.




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